Um incêndio de grandes proporções atingiu uma indústria química em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, na tarde desta terça-feira (4). A fábrica, localizada na Estrada do Bonsucesso, na região do Rio Abaixo, armazenava cerca de 2 milhões de litros de produtos inflamáveis.
O fogo começou por volta das 15h e mobilizou uma grande operação do Corpo de Bombeiros. Ao longo do combate, mais de 30 viaturas e dezenas de bombeiros foram enviados ao local, que precisou ser isolado devido ao risco provocado pelos produtos químicos armazenados na instalação.
A indústria armazenava solventes e resinas em uma estrutura composta por 24 tanques. Dois deles foram atingidos diretamente pelo incêndio. Os tanques principais tinham capacidade de aproximadamente 30 mil litros cada, além de seis tanques de 5 mil litros e mais de 100 recipientes intermediários para armazenamento dos produtos.
Entre os produtos armazenados estavam tolueno, hexano, álcool etílico, acetato de etila, acetato de butila e resinas. Por se tratarem de materiais inflamáveis, o comportamento do incêndio era considerado de difícil previsão, com risco de novas explosões e de extravasamento dos produtos.
Durante o combate, explosões foram registradas na região. Segundo informações divulgadas pelas autoridades, parte dos líquidos inflamáveis pode ter alcançado a rede de captação de água pluvial e outras estruturas subterrâneas, provocando explosões em bueiros próximos à indústria.
O comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Diógenes Munhoz, explicou que incêndios envolvendo líquidos inflamáveis apresentam comportamento diferente de ocorrências convencionais. O risco de explosões e de movimentação dos produtos exige uma estratégia de combate mais cautelosa e atenção constante à segurança das equipes.
Para combater as chamas, os bombeiros utilizaram espuma, buscando principalmente abafar o fogo e reduzir a possibilidade de novas explosões. A estratégia foi adotada devido às características dos produtos armazenados e ao risco associado ao contato desses materiais com fontes de ignição.
O tempo de resposta das equipes foi considerado fundamental para impedir que o incêndio se espalhasse para outras áreas da empresa. Segundo o Corpo de Bombeiros, a primeira viatura chegou ao local aproximadamente 15 minutos após o acionamento, permitindo iniciar rapidamente as ações de contenção.
Por medida de segurança, moradores das proximidades foram retirados da região. Cerca de 200 pessoas precisaram deixar suas residências durante a ocorrência, enquanto empresas e instalações vizinhas também foram evacuadas. Um espaço de abrigo emergencial foi disponibilizado pela Prefeitura de Itaquaquecetuba para atender a população retirada da área.
A fumaça produzida pela queima dos produtos químicos podia ser observada de diferentes pontos da região, chegando a ser vista a aproximadamente 20 quilômetros de distância, em Guarulhos. A Prefeitura orientou a população a evitar a exposição à fumaça e procurar atendimento médico em caso de sintomas como irritação intensa, tosse persistente, falta de ar, dor no peito, tontura ou outros sinais de intoxicação.
Apesar da dimensão da ocorrência, não houve registro de mortes. Um homem recebeu atendimento médico após apresentar um quadro de convulsão e foi encaminhado pelo SAMU para uma unidade de saúde do município. As autoridades também acompanharam os possíveis impactos ambientais e estruturais provocados pelo incêndio.
A indústria operava de forma regular, segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Itaquaquecetuba. O local possuía Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) válido e licença de operação ambiental. As causas do incêndio ainda estavam sendo investigadas.
O episódio chamou atenção para os desafios relacionados ao armazenamento de grandes volumes de líquidos inflamáveis e para a necessidade de estratégias integradas de prevenção, monitoramento e resposta a emergências em instalações industriais.
A proteção contra incêndios em ambientes industriais deve considerar os processos realizados, os materiais utilizados e armazenados, a ocupação das áreas e os diferentes cenários que podem ocorrer durante uma emergência.
Sistemas de detecção e alarme permitem identificar sinais de incêndio em estágios iniciais e acionar procedimentos de emergência com maior rapidez, contribuindo para reduzir o tempo de resposta e limitar a evolução de uma ocorrência.
Instalações que trabalham com produtos inflamáveis podem se beneficiar de soluções de monitoramento contínuo capazes de acompanhar condições operacionais, identificar anomalias e fornecer informações para uma tomada de decisão mais rápida.
A integração entre detecção de incêndio, alarmes, sensores, sistemas de controle e outros dispositivos de segurança permite coordenar respostas e centralizar informações importantes durante situações críticas.
O armazenamento de líquidos inflamáveis exige medidas específicas para reduzir a possibilidade de vazamentos, propagação do fogo e impactos sobre áreas vizinhas. Sistemas de contenção e estratégias de emergência devem fazer parte do planejamento da instalação.
Inspeções, testes e manutenção preventiva são essenciais para garantir que equipamentos de detecção, alarme, controle e proteção permaneçam disponíveis e funcionais quando uma situação de emergência ocorrer.
Uma abordagem integrada de engenharia permite avaliar riscos, definir soluções compatíveis com cada instalação e estabelecer sistemas de proteção capazes de preservar pessoas, patrimônio e infraestrutura.
Sistemas de prevenção, automação, monitoramento e manutenção ajudam a reduzir vulnerabilidades e podem limitar os impactos de uma emergência sobre os processos produtivos e a continuidade das operações.